Este é um blogg pra falar das minhas experiências profissionais. Que muitas vezes não são nada profissionais. Ou melhor, é pra refletir sobre minhas experiências com o trabalho. Porque é um mundo muito estranho. Esse mundo do trabalho.
Começo com uma relcamação de mim mesma.
Nesse fim de semana vi RISCADO, maravilhoso filme de amigos. Fala do cotidiano de uma atriz. Fala da relação e da ralação que se tem com o trabalho. Fala de uma mulher que sonha. Fala de todos nós, e tem riso e tem dor. Saí do filme muito tocada e ainda dentro da sala de cinema encontrei com o Amin. Amin é um cara esquisito de cabelo grisalho e barba branca que toda a classe teatral, se parar pra pensar, conhece. Ele vê tudo que está em cartaz.
Pois bem, Amin me chamou pra dizer que o Seu Roberto faleceu semana passada. Seu Roberto era um senhor magrinho e impático que de tanto encontrar nas filas dos teatros, acabei "pegando" amizade. Doce e gentil, Seu Roberto, ainda mais do que o Amin, era um grande ESPECTADOR de teatro. Essa raça em extinção. Me emploguei tanto com as estórias do Seu Roberto, que começou a ver teatro com o Vestido de Noiva do Ziembinski no teatro Municipal em 1943, que resolvi fazer um filme sobre ele. Com recursos próprios, armei todo um esquema e gravei uma longa entrevista com ele no foyeur do Teatro Municipal. Empolgada, quando fui ver o material em casa vi que o som ficou ruim. E nunca mais consegui tempo pra me dedicar a este trabalho, ou seja, pra montar o filme, editar o material, legendar ou melhorar o áudio, enfim. Até porque eu o faria com recursos próprios e a maré tá meio fraca de tempo e dinheiro pra me dedicar a um trabalho assim. Quer dizer, a MAIS um trabalho assim...
Os anos passaram e eu continuei encontrando o Seu Roberto, que sempre me perguntava sobre o nosso filme. Eu dizia que não estava tendo tempo pra tocar o projeto, mas que um dia ele ia sair. Até que ele parou de perguntar. E eu me sentia devendo o filme a ele.
Então no sábado eu soube que ele faleceu na quarta-feira passada. Tinha um câncer no pulmão e nunca conseguiu parar de fumar. Fiquei arrasada. Por não ter feito o filme por ele, pra ele, por mim, pra nós, pro teatro...
Moral da estória: se dedicar aos trabalhos que estão fora da ordem do trabalho é, muitas vezes, o trabalho mais importante.
Os DVDS com a entrevista estão aqui.
Vou ver se agora eu consego seguir com este trabalho.
Pro querido Seu Roberto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário