O cinema é uma panela. E no cinema brasileiro, nunca precisam de uma loira de olhos claros. Quer dizer, precisam sim, mas quando o tipo é esse, geralmente é uma loirona linda, gostosa, mulherão. Nunca precisam de uma loira normal. Com olheiras e um pouquinho acima do peso anoréxico-ideal. Enfim. Muito difícil, sem ser famosa e com o meu biotipo, entrar nessa panela.
Mas tive 3 oportunidades no cinema.
Na primeira, passei num teste prum filme da Lúcia Murat - Quase dois irmãos. Tava super feliz inclusive pela temática, relativa ao período da ditadura militar brasileira e tenho todo um passado acadêmico voltado pro assunto, então seria uma boa oportunidade de eu me sentir juntando minha prática acadêmica ao trabalho de atriz. Mas na véspera da filmagem a Marieta Severo teve um problema e nossas agendas ficaram incompatíveis. Entre ela e eu escolheram ela, claro. Puseram outra no meu lugar. Não filmei.
Na segunda, passei num teste pra fazer uma assistente social em Gramacho. Filme de B.O. (quando ouvirem isso, corram!). Pra quem não sabe, B.O. é Baixo Orçamento. Depois da produtora me explicar por horas as dificuldades de captação do filme, falei:
- Ok, já entendi que é pra fazer na guerrilha, no amor. Mas quanto, afinal, vocês têm pra me pagar?
- R$ 250,00 a diária. mas é só uma diária!
- Oi...? 250??? Putz...só tem isso mesmo? Não tem como melhorar...? Bem... ok, vai, fazer o quê, né...?
Desliguei o telefone me sentindo uma bosta de uma negociadora. E pensei: e na bundinha, não vai nada? Parece até que a produtora ouviu meu pensamento, porque na sequência ela me ligou de novo:
- Oi querida, esqueci de dizer que como vamos filmar no lixão, no aterro sanitário de Gramaho, é preciso que você tome duas vacinas, contra tétano e difteria. Pode ir em qualquer posto de saúde que eles dão de graça!
Ou seja, além de um diária de 250 eu tinha que pegar fila no posto de saúde, tomar duas injeções e passar o dia no lixo! E eu feliz com o trabalho...
Mas sempre pode piorar.
Além de me pegarem as 10 pras 6 da manhã no dia da filmagem (além do cachê, esse é o horror do mundo do cinema, o horário...), choveu muito, então fiquei na casinha de apoio/camarim na entrada do lixão de 6 da manhã até 16hs, quando nos levaram de carro pro set, na montanha de lixo. Já tava até acostumada com o cheiro azedo e a lama. Chegando no set, o diretor pediu mil desculpas mas disse que ia ter que cortar a nossa cena, porque a chuva e a lama tinham atrasado todo o cronograma.
Voltei pra casa às oito da noite com meu cheque de 250 e sem filmar.
A terceira oportunidade, foi a melhor. Fui CONVIDADA (chiquérrimo!) pra fazer uma ponta de 3 frases no filme de um amigo. Minha cenica entrou pro trailler e o filme já bateu os 3 milhões de espectadores! Tudo bem que eu fazia uma nerd-prega-baranga que fala tudo errado, e que isso foi visto por 3 milões de pessoas, mas foi sucesso total.
Vamos ver quais serão minhas próximas oportunidades no cinema nacional.
Mal posso esperar.
Um novo mercado de trabalho...
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